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A obesidade e a prática da marcha e corrida
O aumento dos níveis de obesidade por todo o mundo torna-se, cada vez mais, como
uma preocupação ao nível da saúde publica. A obesidade aumenta o risco de um grande
número de doenças crónicas, incluindo, doenças coronárias, diabetes tipo II, hipertensão,
enfartes e alguns cancros.
PAo longo dos anos, o aumento da adiposidade total do corpo reflecte-se especialmente
a nível abdominal. O perímetro da cintura e a relação cintura-anca são muito usados
como referência em estudos epidemiológicos. Estes evidenciam que a adiposidade abdominal,
independentemente da adiposidade total, está associada a riscos de doenças crónicas,
tais como, doenças cardiovasculares, diabetes, e alguns cancros.
Assim, a manutenção de um peso saudável destaca-se como a melhor forma de prevenir
as doenças crónicas e mortes prematura, demarcando-se a importância da manutenção
de um perímetro da cintura saudável e da prevenção da obesidade abdominal.
Vários estudos sugerem que, a combinação da caminhada e de exercícios mais intensos
(por ex.: Corrida, exercícios de força, etc.), é uma óptima estratégia para o controlo
do peso corporal e para a prevenção da morte por doenças cardiovasculares.
Caminhar é uma actividade física de fácil domínio técnico, que não acarreta despesas
e é segura, se efectuada com o devido acompanhamento técnico.
Estudos demonstram que, a introdução da caminhada no processo de emagrecimento em
pessoas obesas, facilita a diminuição de peso corporal, bem como a redução da massa
gorda abdominal e massa gorda total. A caminhada é também associada à manutenção
e prevenção do aumento de peso. Assim, caminhar apresenta-se como uma escolha altamente
fundamentada no controlo da obesidade.
Se a perda de peso corporal é o objectivo, a caminhada como único meio, poderá contudo
não ser suficiente para alcançar os seus objectivos. Assim, meios suplementares
poderão ser necessários, tais como, a alteração da dieta alimentar, utilização de
medicamentos e ou até apoio psicológico. Contudo, mesmo sem alcançar uma perda de
peso corporal, o aumento da actividade física implicará sempre uma melhoria na saúde
do obeso.
As recomendações mínimas, no que concerne ao volume de caminhada, para o controlo
da obesidade são de 150-200 minutos/semana ( 25-30 minutos/dia). Este volume poderá
melhorar a sensibilidade à insulina e melhorar a aptidão cardio-vascular, contudo,
não deverá ser esperada a obtenção de uma redução radical do peso corporal. Para
alcançar este objectivo, deverá aumentar a duração da sua caminhada, de uma forma
gradual, até alcançar pelo menos cerca de 250-300 minutos/semana (35-45 minutos/diários).
Além do controlo do peso corporal, esta estratégia permitirá melhorar os níveis
da HDL (bom colesterol).
Contudo, caminhar poderá ser uma fonte de cargas biomecânicas que relacionam a obesidade
a problemas do foro músculo-esquelético, particularmente à osteoartrite do joelho.
Em pessoa obesas, o excesso de peso suportado durante o simples acto de andar, irá
aumentar as cargas biomecânicas sobre o joelho, aumentando o grau deste impacto
à medida que aumenta a velocidade da marcha.
Quando sujeitos obesos caminham a velocidades de 1.0 m/s-1 (3km/h), o pico de forças
será 45% inferior comparativamente a velocidades de 1.5m/s-1 (5km/h). Sujeitos obesos,
a caminhar a uma velocidade de 1,1m/s-1 (3,96 km/h), terão o mesmo pico de forças
de impacto ao nível do joelho que um sujeito normal a caminhar a uma velocidade
de 1,4m/s-1 (5,04 km/h). Assim, caminhar a uma velocidade menor, será um meio efectivo
de reduzir as cargas nas articulações dos joelhos em pessoas com excesso de peso,
podendo reduzir até 25% dessas mesmas forças. É por este tipo de questões que é
fundamental que a actividade de marcha e corrida destas pessoas deva ser devidamente
orientada de modo a que o doseamento de volumes e intensidades de treino, sejam
devidamente individualizadas a cada situação específica.